Dados divulgados pelo Ministério da Educação revelam um cenário preocupante na formação médica no país. O resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025 aponta que 30% dos cursos de medicina avaliados tiveram desempenho insatisfatório, com notas 1 ou 2 em uma escala que vai até 5. Ao todo, 107 das 351 instituições avaliadas ficaram abaixo do nível considerado adequado.
O tema foi discutido em entrevista no Web Jornal, com a participação do professor e doutor João Luiz Vieira, conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Piauí. Segundo ele, o resultado já era esperado por entidades médicas diante da expansão acelerada de faculdades de medicina no Brasil nos últimos anos.
De acordo com o conselheiro, tanto os Conselhos Regionais quanto o Conselho Federal de Medicina vêm alertando para a necessidade de reavaliar a abertura e o funcionamento desses cursos, especialmente no que diz respeito à qualidade da formação oferecida aos futuros profissionais.
Revisão das diretrizes curriculares
João Luiz Vieira destacou ainda que a preocupação com a formação médica levou à revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais, reformuladas no ano passado em parceria entre o MEC e a Associação Brasileira de Educação Médica (Abem). O objetivo foi criar critérios mais rigorosos para avaliar se os estudantes estão, de fato, sendo preparados para exercer a medicina com qualidade.
Para o professor, a qualidade da formação impacta diretamente o futuro da saúde no país. “Quando a formação é adequada, a sociedade ganha em cuidado e segurança. Quando há falhas nesse processo, as consequências podem aparecer mais adiante”, avaliou.
A divulgação dos dados reacende o debate sobre a expansão do ensino médico e reforça a necessidade de políticas públicas que priorizem qualidade, fiscalização e responsabilidade na formação dos profissionais de saúde.

Fonte: Redação Sem Fronteiras TV
Foto: Estúdio Sem Fronteiras TV

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